Botucatu, sábado, 19 de Outubro de 2019

Colunista Bahige Fadel Professor
20/05/2019

POLÍTICA



Vamos começar pelo princípio, para ver se a gente entende a política que se pratica no Brasil. Será que a política, no Brasil, tem a ver com o verdadeiro significado da política? Vamos ver. A palavra política vem do grego: politiká, uma derivação de polis, que designa aquilo que é público, e tikós, que se refere ao bem comum de todas as pessoas. Então, política tem que envolver a população e deve ter como objetivo o bem-estar de todas as pessoas. Até aí, parece que não é tão difícil entender. Se eu for um político ou ocupar um cargo político, terei a obrigação de trabalhar para o bem-estar de todos. Não tem nada a ver com promover apenas o meu próprio bem-estar ou o bem-estar apenas de meus partidários. Não é porque pertenço a um partido que devo desconhecer ou – pior – prejudicar aqueles que pertencem ao partido adversário.

            Pois bem, no Brasil é assim que ocorrem as coisas políticas? Se for, estão muito escondidas, pois não consigo ver nem com binóculos. O que eu mais vejo é um jogo de interesses, é um pega-pra-capar, é uma briga de foice no escuro, é um deus-me-acuda, é um deus-me-livre, é uma caça às bruxas, é um pros-amigos-tudo-pros-inimigos-nem-a-lei. Terrível! O pessoal não está nem aí para o interesse público. É aquela história do ‘eu quero é me locupletar’. Quando um cara é sério na política, em vez de ser regra, é exceção. Pode? No Brasil, não só pode como também parece que é obrigatório.

            E vou dizer uma coisa que parece ser muito antipática. A mídia é uma das principais culpadas. Em primeiro lugar, é difícil perceber imparcialidade nos meios de comunicação. Cada um puxa a brasa para a sua sardinha. Só veem o que lhes interessa. A oposição só critica; a situação só elogia. Para a oposição, até unha encravada do presidente é corrupção ou incompetência. Para a situação, até erro de português é virtude. Não há quem aguente. Nenhum dos dois lados ajuda nada. A oposição não ajuda porque não colabora; a situação não ajuda porque não corrige. Enquanto isso, a verdade fica esquecida num canto qualquer. Abandonada, solitária, como se não interessasse a ninguém. Quando quer vir à luz, tratam-na como intrusa.

            Se a gente quiser que o Brasil vença as dificuldades em que se encontra, está na hora de tomarmos atitudes diferentes. As críticas e os elogios devem continuar. As críticas para alertar e os elogios para estimular. E que venham soluções plausíveis, realistas, não utópicas. Não adianta pedir mais dinheiro, se dinheiro não há. Então, que se sugira o melhor emprego do dinheiro que existe. O resto é resto.

                                                           BAHIGE FADEL










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