Botucatu, domingo, 22 de Setembro de 2019

Colunista Quico Cuter Jornalista, Autor, Escritor, Historiador e Poeta
21/12/2016

Vereadores de São Paulo mostram por que a política é vergonhosa



Por 30 votos a 11 (14 não votaram), os vereadores de São Paulo aprovaram para 2017 aumento dos próprios salários em 26,3% a partir de janeiro. Eu disse 26,3%. No Brasil ninguém teve esse percentual de aumento. Quando muito a correção do índice da inflação. Essa decisão dos parlamentares mostra que eles estão poucos se lixando com a opinião pública. Bando de aproveitadores do erário público.

A partir de janeiro próximo os nobres edis paulistanos passam de  R$ 15.031,76 para R$ 18.991,68, com possibilidade de reajuste anual. Somando os gastos com funcionários, as verbas de gabinete e o novo salário, o custo anual por vereador será de R$ 2,1 milhões na capital paulista com direito a incríveis (e desnecessários) 17 assessores e um chefe de gabinete, além de uma verba extra de gabinete no valor de R$ 22 mil, tudo pago evidentemente, pelo contribuinte.  Some agora o gasto de todos os 55 vereadores, com suas mordomias e seus assessores.

A maior casa legislativa municipal do Brasil,  conhecida como "Palácio Anchieta", ficou longe de ser um exemplo de respeito pelo dinheiro público. Muito pelo contrário. Deram-se o direito de aumentar nababescamente os próprios salários em meio à maior crise financeira do país onde empresas estão quebrando e milhões de brasileiros estão desempregados.  

E o pior é que a inclusão do projeto na pauta da sessão e a sua aprovação, em meio a esse cenário de crise econômica do País e da rejeição a políticos levaram menos de cinco minutos. Votaram contra esse desavergonhado aumento salarial 11 vereadores: Toninho Véspoli (PSOL), Ricardo Nunes (PMDB), Mario Covas Neto (PSDB), Patrícia Bezerra (PSDB), Aurélio Miguel (PR), Gilberto Natalini (PV), Aurélio Nomura (PSDB), José Police Neto (PSD), Ota (PSB), Andrea Matarazzo (PSDB) e Salomão Pereira (PSDB). 

Votaram favorável ao aumento “figurinhas carimbadas” da política de São Paulo como:  Antônio Donato (PT),  Arselino Tatto (PT),  Celso Jatene (PR),  Conte Lopes (PP), Eduardo Tuma (PSDB), Gilson Barreto (PSDB), Jair Tatto (PT),  Juliana Cardoso (PT),  Milton Leite (DEM),  Noemi Nonato (PR), Ricardo Teixeira (PV),  Toninho Paiva (PR), Wadih Mutran (PDT), entre outras.

E atentem para a justificativa dos vereadores favoráveis ao aumento: “o gigantismo de São Paulo, com problemas sociais, econômicos, políticos e culturais, exige dos vereadores envolvimento e dedicação”. Que singelo!

E tem o lado da negociata. Muitos vereadores da legislatura atual que não conseguiram a reeleição votaram pelo aumento com a promessa de que  irão trabalhar na assessoria dos que foram eleitos ou reeleitos, ou seja, continuarão mamando nas tetas voluptuosas do Poder Público.   

Ah! Já ia me esquecendo! Também foi aprovada nessa “histórica”  sessão a destinação de R$ 30 milhões que serão tirados da limpeza urbana, para obras no prédio da Câmara Municipal, atendendo uma emenda proposta pelo vereador Jonas Camisa Nova (DEM).  O parlamentar argumenta que o prédio da Câmara “está em perigo”, por causa de um córrego. Basta por hoje!










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