Botucatu, quinta-feira, 27 de Junho de 2019

Cidade / Geral
18/03/2019

Padre botucatuense será sagrado bispo nesta terça-feira, em Lençóis Paulista



O padre Carlos, nascido e criado na Vila dos Lavradores, será ordenado bispo pela imposição das mãos do núncio apostólico no Brasil (o embaixador do papa), dom Giovanni D’Anielo

 

 Por:  Gesiel Júnior - Especial

 

Pela primeira vez na história local um botucatuense nato vai se tornar bispo da Igreja Católica. Cidade episcopal desde 1908, mas só depois de 111 anos como bispado é que Botucatu verá pela primeira um filho seu ser ungido sucessor dos apóstolos de Cristo: o monsenhor Carlos José de Oliveira. Em dezembro o papa Francisco o nomeou bispo de Apucarana, diocese do Norte do Paraná

Para começar sua missão, nesta terça-feira, às 19h, no Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Lençóis Paulista, onde foi pároco por mais de duas décadas, o padre Carlos, nascido e criado na Vila dos Lavradores, será ordenado bispo pela imposição das mãos do núncio apostólico no Brasil (o embaixador do papa), dom Giovanni D’Anielo

Já faz mais de meio século que não ocorre uma ordenação episcopal na região. A última deu-se em 2 de maio de 1965, na Catedral de Sant’Ana, quando dom Sílvio Dario se tornou bispo auxiliar de Botucatu. Cinco anos antes, era a vez de dom José Melhado Campos, eleito bispo de Lorena, também ser sagrado na Sé de Botucatu.  

          

“Igreja em missão

Na primeira mensagem aos padres e fiéis do bispado situado no norte paranaense, que abrange 36 municípios com 63 paróquias organizadas entre 6 decanatos, o quarto bispo de Apucarana declarou sentir-se honrado a assumir uma “diocese tão bela e rica de história evangelizadora e com ligação afetiva à arquidiocese de Botucatu”

Sua afirmação se explica pelo fato de, em fins da década de 1960, o primeiro bispo de Apucarana, dom Romeu Alberti, ter exercido por quase um ano o cargo de administrador apostólico de Botucatu em meio à crise aberta pela recusa de parte do clero à nomeação de dom Vicente Zioni para suceder a dom frei Henrique Trindade

A traumática posse de dom Zioni na arquidiocese, há exatos 50 anos, causou a saída de 25 padres, alguns dos quais optaram por trabalhar em Apucarana, caso do hoje arcebispo emérito de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, que lá, antes do episcopado, serviu em Arapongas e agora vive e trabalha em Santa Fé. “Laços carinhosos já nos unem. Peço que me aceite como seu filho e irmão”, afirmou sobre ele o futuro bispo

Curiosamente, monsenhor Carlos recebeu de presente o báculo usado por dom Zioni, peça dourada que simboliza o cajado do pastor. “Minha missão episcopal é a de servidor, pois o bispo é discípulo missionário de Jesus sumo sacerdote”, definiu.  

Para seu ministério episcopal ele escolheu o lema “Com Maria, Mãe de Jesus”, reflexo de sua pessoal devoção mariana. Com esse gesto desejou expressar também o seu desejo de “permanecer no cenáculo e ser continuamente enviado em missão, em uma Igreja em saída, como nos pede o papa Francisco”, enfatizou

No fim de sua mensagem, o novo bispo pede que rezem por ele e reafirma o compromisso de “evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres”.

A posse de dom Carlos José de Oliveira, como ele passará a ser oficialmente tratado a partir do dia 19, está marcada para o sábado, 6 de abril, às 10h, na Catedral de Nossa Senhora de Lourdes, de Apucarana.  

 

Gesiel Júnior 

Cronista e pesquisador, autor de vários livros sobre a história da Igreja Católica na região










© Alpha Notícias. Todos os direitos reservados.