Botucatu, terça-feira, 23 de Julho de 2019

Esporte / Saúde
09/05/2019

Botucatuense relata experiência de sair dos 160kg para virar atleta com 72kg



O botucatuense Elton Machado, de 26 anos de idade, tem uma história de vida bastante interessante. Desde criança sempre foi uma criança “gordinha” e seus problemas se iniciaram quando começou a frequentar a escola. Com dificuldade para se relacionar com outras crianças recebia muitos apelidos, sendo sempre motivo de chacota, sofrendo toda sorte de bullying.

Após anos sofrendo preconceito e com 160kg, conseguiu dar uma guinada em sua vida e se tornou um atleta, com 72kg e o manequim de 54 para 36.  Em entrevista ao Alpha Notícias Elton faz um relato de sua vida e os dissabores que passou, até conseguir sua superação.

 

Vergonha

“O meu peso e essa dificuldade em me relacionar começou a gerar vergonha de mim. Me sentia diferente e inferior as outras crianças. Então, fui crescendo cada vez mais distante, com poucos amigos, sempre me escondendo, trazendo comigo uma bagagem de rejeição, e não sabia como lidar com isso. Não conseguia falar sobre isso com ninguém e comecei a achar natural me esconder”.

 

Se descobrindo

“Na escola via as outras pessoas que considerava serem "normais", integradas em grupos e sentia uma vontade enorme de ser igual. Isso me fazia mal, e na expectativa de me integrar fui guardando comigo minhas mágoas e dores. Nessa fase estava completamente sem identidade, me descobrindo homossexual, lutando com unhas e dentes contra o preconceito, numa tentativa de ocultar o que era óbvio para todos. Sofria muito por não me aceitar e o bullying que já era meu companheiro de vida e os apelidos que não tenho como esquecer: rolha de poço, bola sete, bichinha gorda, entre outros”.

 

Fora da moda

“A primeira vez que me interessei por alguém foi muito frustrante por saber que não fui correspondido em razão de não ter um corpo de acordo com o padrão. Era frustrante entrar nas lojas e não ter as roupas que eu queria usar no meu tamanho XG. Via meus amigos com looks da moda e eu sempre no “basiquinho” que era o que me servia”.

 

Só o bom amigo

“Era aquele bom amigo que eleva a autoestima de todo mundo, aquela companhia agradável, mais nunca alguém com uma aparência que quisessem por perto por medo dos comentários. Quase não saía de casa e na escola queria participar das aulas de educação física e não conseguia. Nunca era escolhido por nenhum time e quando o professor me colocava em algum era constrangedor. Por isso fui deixando de fazer tudo o que eu sempre quis por conta das minhas limitações e ia me adaptando ao que conseguia”.

 

Início da mudança

“Tive inúmeros tentativas frustradas de emagrecer, pois não tinha vida social, então meus programas eram trabalhar e comer, cada vez mais ansioso e depressivo, me lembro que uma amiga (Débora Pereira) que havia emagrecido muito e tornou-se uma atleta sempre tentava me motivar, me levava pra correr e comecei aí minha paixão pelo esporte embora meu fôlego e joelhos não dessem conta. Então mais uma vez desisti do que gostava por me considerar limitado. Então no auge da minha obesidade, com 160 quilos, depressivo e cansado de me conformar, decidi que queria mudar, parar de sonhar e tornar realidade a vida que sempre quis. Decidi não aceitar minhas limitações e ir à luta. Queria ser alguém normal, parar de assistir a corrida de São Silvestre pela TV e sonhar um dia estar lá. Eu queria mudar. Eu necessitava mudar”.

 

Cirurgia salvadora

“Como uma prima havia feito a cirurgia bariátrica e ficado bem, decidi deixar meus medos de lado e correr atrás.  Enxerguei nessa cirurgia uma chance de conhecer a vida que estava do outro lado, o que antes eram hipóteses, sonhos e expectativas podia ser realidade. Então comecei a pesquisar e conhecer histórias. Cada vez mais motivado comecei a juntar dinheiro e me dedicar. Minha família no início não me apoiou. Por outro lado, nesse processo conheci pessoas incríveis que me motivaram a não desistir. Comecei o processo no Hospital Angelina Caron, em Curitiba-PR, e permaneci firme nesse propósito”.

 

A mudança

“Fiz a cirurgia no mês de julho de 2017. Uma das pessoas que me motivou me levou à Avaré para poder embarcar e fazer a cirurgia, convicto que isso que eu queria. Nesse processo conheci um rapaz de nome Gabriel que operou no mesmo dia que eu e fomos junto a Curitiba. Fiquei com ele e sua família que me acolheu e me ajudou nos dias que fiquei lá me recuperando”.

 

Vida na academia

“Passei por todos os processos pós-cirurgia, como dieta líquida e 15 dias só tomando líquido, 50 ml de água a cada 30 minutos, caldos, etc. Logo veio o resultado na balança. No primeiro mês perdi 30 quilos. Quando o médico me liberou após 6 meses me matriculei na academia e comecei a fazer aulas de aeróbico, sppining e funcional com a professora Dila Paganini, e conheci minha amiga Cristina Figueiredo que me fez o convite para participar de corridas e reacendeu o sonho antigo. Comecei a treinar com ela. Ia e voltava do trabalho correndo e perdendo peso, me apaixonando pelo esporte”.


Primeira corrida

“Até que a Cristina me inscreveu na corrida Brasil Ride 16 km. Aceitei o desafio e fui com a cara e a coragem. Percurso pesado mais consegui concluir a prova. Quase não acreditei quando cheguei e ela estava lá me esperando. Chorei muito. Vi o quanto sou capaz e então comecei a me dedicar cada vez mais. Um dia no Estádio Municipal – Inca, conheci a professora Silmara Modesto, um ser humano incrível que acreditou em mim, e passou a me dar treinamento. Juntos fizemos nossa primeira corrida de São Silvestre no dia 31/12/18.  Conheci muitos amigos com a corrida, ganhei uma família, pessoas incríveis e dedicadas a ajudar o próximo. Amigos que me ajudaram na realização do sonho de correr a São Silvestre e se uniram em uma “vaquinha” e pagaram minha inscrição”.
 

Vida nova

“Hoje me sinto vivo, feliz e cada dia mais realizado. Tenho prazer em sair, me sinto confiante, nunca vou esquecer na primeira vez que pude comprar roupas. Através de muito treino estou alcançando grandes resultados, fiquei em 3º lugar na minha categoria no Circuito da Acob de 2018 e na Corrida Explore 6 Horas em 3º lugar no geral junto ao sexteto da Assessoria Silmara Modesto. Também obtive o 3º lugar geral da Corrida Noturna de 21 km e 1º na minha categoria. Estou seguindo treinos à risca pra fazer minha 1ª Maratona na Cidade do Rio de Janeiro no dia 23 de maio e a SP City, dia 27/07 em São Paulo. E vou em busca da marca da Ultramaratona 70 km Brasil Ride 2019”.

 

Viajando longe
“Substitui a palavra limitação por meta, planejamento e garra. Sou forte e capaz de vencer obstáculos com fé e determinação e, principalmente, humildade. Sei que posso chegar onde nunca imaginei. Hoje muitas pessoas me procuram para dizer que se inspiram em mim. Começaram a correr comigo e sempre que posso motivo aqueles que estão por perto. Sempre digo, que sempre há tempo pra mudar. Acreditar é o melhor caminho. Somos capazes de transformar o mundo, quando transformamos nosso modo de olhar pra ele. Superei a obesidade, hoje pesando 72kg, passei do manequim 54 pro 36, do XXG ao P. Em busca sempre de procurar estar bem”.










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