Botucatu, terça-feira, 18 de Junho de 2019

Turismo / Meio Ambiente
30/05/2019

Projeto Guarani vai restaurar 200 hectares de Mata Atlântica na região de Botucatu



Programa destaca-se por reunir pessoas e instituições para recompor a vegetação nativa associada à geração de renda para os produtores rurais e, dessa forma, atender os três grandes pilares da sustentabilidade: o ambiental, o econômico e o social

 

Os participantes do Projeto Gigante Guarani celebraram a nova etapa do programa destinado a restaurar ecologicamente a Mata Atlântica em áreas de recarga do Aquífero Guarani na Cuesta de Botucatu, com um evento de lançamento no dia 29 de maio, no Auditório da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, na Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu.

O foco principal do projeto nesta nova etapa é restaurar 200 hectares de Mata Atlântica no entorno de mananciais em Áreas de Preservação Permanente dos municípios de Itatinga, Bofete e Pardinho. Já foram assinados termos de compromisso com 50 agricultores e o projeto conta com diversas parcerias entre organizações locais da sociedade civil e instituições públicas. O apoio financeiro para esta nova etapa é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Paralelamente ao replantio de matas nativas, o programa Gigante Guarani vai trabalhar a transição ecológica na região, com a implantação de sistemas agroflorestais para geração de renda e o desenvolvimento de oficinas sobre temas da cadeia produtiva da restauração florestal, captação de recursos, elaboração de projetos e acesso a políticas públicas para agricultores, jovens da área rural e técnicos do serviço público. Os objetivos do projeto e seus resultados serão divulgados para efeito multiplicador na região e para a criação de um mecanismo de mobilização social e sustentabilidade a longo prazo.

A professora Renata Cristina Batista Fonseca, coordenadora geral do projeto, e docente do Departamento de Ciência Florestal da FCA, destacou a importância do arranjo institucional para a viabilização do projeto. “Conseguimos reunir a experiência do Instituto Itapoty e do Instituto Giramundo Mutuando, a Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) atuando na coordenação geral e gestão financeira, a FCA/Unesp atuando na gestão das pesquisas e orientação das atividades de restauração envolvendo alunos de graduação e pós-graduação e fornecendo o apoio das suas Fazendas de Ensino, Pesquisa e Extensão na marcação de matrizes para a coleta de sementes e Associação Biodinâmica com todo o suporte nas práticas agroecológicas. Mas nada seria possível sem os proprietários rurais que abriram suas propriedades e abraçaram a ideia, os governos locais, a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável do Estado de São Paulo e o BNDES como financiador. Todos unidos para restaurar duzentos hectares do bioma Mata Atlântica, fortalecer a cadeia de restauração na região e dar suporte à confecção dos planos locais de restauração e conservação”.

Raphael Duarte Stein, gerente do Departamento de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia do BNDES, também destacou a importância das parcerias para a execução do projeto. “Sabemos que não é fácil executar um projeto desse porte. Essa parceria entre todas as instituições, incluindo as prefeituras, é fundamental para que haja sucesso. O BNDES acredita que quando se chega numa propriedade rural com um pacote completo, que envolve assistência técnica para melhoria da produtividade, juntamente com a parte ambiental, a chance de convencimento do proprietário rural é maior. Acreditamos muito que esse projeto atingirá seus objetivos”.

O professor Caio Antonio Carbonari, diretor presidente da Fepaf e docente do Departamento de Produção e Melhoramento Vegetal da FCA, ressaltou as parcerias e a influência que o projeto pode ter nas políticas públicas da região. “O programa Gigante Guarani é grandioso em muitos aspectos, mas destaca-se por reunir pessoas e instituições para recompor a vegetação nativa associada à geração de renda para os produtores rurais e, dessa forma, atender os três grandes pilares da sustentabilidade: o ambiental, o econômico e o social. Além disso, certamente os resultados do projeto vão influenciar as políticas públicas para a garantia do desenvolvimento sustentável na região, consequentemente trazendo ganhos à qualidade de vida da nossa população”.

Representantes dos municípios beneficiados também estiveram presentes ao lançamento do projeto Gigante Guarani. “A aprovação do projeto Gigante Guarani é uma conquista importante das ONGs, prefeituras da região, Unesp, Fepaf e demais instituições envolvidas. Creio que nós teremos a felicidade de ver nossas matas recompostas e, com certeza, as futuras gerações da nossa região ganharão muito com isso”, declarou João Bosco Borges, prefeito do município de Itatinga. “Esse projeto parte do princípio de conscientizar o produtor rural que é na sua propriedade que a proteção acontece e que ele tem uma responsabilidade grande na preservação dos recursos naturais, em especial a água. É uma conquista para a nossa região e seremos parceiros no que for necessário para que possamos atingir os objetivos desse projeto”, complementou Nivaldo Cruz, diretor de Meio Ambiente do município de Pardinho.

“Entendemos que a restauração é uma via para atingir resultados sociais. O projeto prevê a construção de uma cadeia de restauração. Queremos que esses 200 hectares que o BNDES apoia seja uma semente, para que possamos agregar novos parceiros e obtermos resultados ainda mais amplos do que está estabelecido no projeto”, afirmou Marcos Roberto Pinheiro, coordenador de suporte à gestão do Gigante Guarani.

O evento de lançamento teve diversas atividades, como palestras, teatro e exposição sobre o Sistema Aquífero Guarani. Trabalham para a execução do projeto Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, Instituto Giramundo Mutuando, Instituto Itapoty, Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica e a Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf).

Da Assessoria










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